Dá-me forças; da-me forças para acreditar que a vida não é um mar de ilusões - que as pessoas não entram na nossa vida para nos magoar e deixar cicatriz. Não, não continues longe de mim. Volta, volta para aquilo que foi o nosso sonho. Volta para os meu braços.
Pega em mim e leva-me para longe, onde nada me lembre que já não estás comigo. Esquece a palavra ausência e vem para o meu lado. Deixa-me acreditar que ainda estás comigo, ainda que seja nos meus sonhos - todas as noites.
Dá-me a tua mão e diz-me ao ouvido que voltaste. Deixa-me ser a tua mulher e não ponhas ninguém nesse lugar para me substituir.
Promete, promete que só me vais amar a mim. Promete que a 4000km de distância, vais colar o teu corpo ao meu.
Vive o que quiseres aí,mas quando voltares para casa eu vou estar à tua espera. Dá-me um sinal, dá um sinal que ainda tenho o meu lugar na tua vida e eu prometo que luto por nós. Não desistas! Não desistas de 3 anos, não desistas de construir mais 30.
Apaga todos os nossos sítios ou volta para eles. Não, não me deixes assim entre montes e florestas, sozinha. Eu não sei, não. Não sei ser forte sem ti.
Tu és a minha fraqueza, o meu fio quebrado que me faz cair em abismos de sofrimento.
Vem ter comigo e limpa-me as lágrimas. Não precisas de recorrer ás palavras, fica apenas comigo no silêncio de uma manhã. Fica sentado ao meu lado e deixa-me chorar no teu colo. Deixa-me sentir a tua presença, depois de tanta distância.
Faz-me acreditar no nosso amor, faz-me acreditar que não foi tudo uma ilusão. Agora vem. Enche os meus sonhos de realidade. Volta para o meu colo; volta para a nossa casa.
Falta-me a inspiração dos teus ombros sobre o meu corpo, a segurança do cheiro da tua pele, a tua cara a dormir na almofada ao meu lado, tranquilo e belo como um querubim. Falta-me o teu tempo e a tua respiração. Falta-me a tua mão na minha, quando ando na rua. E o teu olhar a envolver-me como um manto e o teu coração a bater ao mesmo tempo que o meu. Fazes-me falta, meu amor. E a falta que me fazes não se resgata nas palavras, nas esperas, na conjugação estóica do verbo aceitar. Eu sei que tudo o que te digo cai por terra, que a minha espera é inútil, que nunca saberei conjugar o verbo, que tudo muda, mas é sobretudo o que menos desejo ou mais temo.
- Margarida Rebelo Pinto
M.

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